Historia

Uma Ilha com mais de 400 anos de História

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O inicio de uma historia

A Ilha de Porto Belo tem um longo histórico de ocupação humana. Os petroglifos existentes na “Pedra da Cruz” são vestígios dos primeiros habitantes da região (povos neolíticos) e datam de mais de quatro mil anos atrás (foto 3). Segundo crença popular, no século 19, quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, enterraram na ilha uma imagem de um anjo de ouro. Naquela época, a população local acreditava que as inscrições rupestres podiam ser o mapa que levava ao tesouro ou que ele estava escondido sob a pedra. Hoje, as inscrições podem ser observadas na caminhada pela trilha ecológica.

No entanto, a partir do século 18 a história da ilha aparece em pesquisas de registros oficiais da região, isso por volta de 1703, quando os primeiros colonizadores, vindos da portuguesa Ericeira, chegaram ao local denominado de Enseada das Garoupas, hoje Porto Belo.

Mapa manuscrito de 1777 (foto 5), por exemplo, arquivado na Fundação Biblioteca Nacional, sob o registro de “Plano Verdadeiro da Enseada das Garoupas”, na latitude 27°10′, aponta que neste período a ilha já era ocupada pelo Alferez José Francisco Rebello que a vendeu, em 1813, para o Sargento Manoel Duarte da Silveira. Nessa época, a ilha era conhecida como Ilha Bella das Garoupas.

Outro documento, de lançamento das terras da ilha no Livro de Registro de Terras (foto 7), a cargo dos vigários, foi feito em 21 de abril de 1856, pelo então proprietário, João da Cunha Bittencurt, que comprou a ilha em 1826, na cidade de Desterro (atual Florianópolis) por 600 mil réis.

Oficialmente, a ilha tem o nome de João da Cunha, conforme Planta Hidrográfica da Enseada de Porto Belo (foto 2), levantada e desenhada, em 1864, pelo Comandante D’Armada, Antônio Luiz Von Hoonholtz que, futuramente, se tornaria o Barão de Teffé, depois de participação vitoriosa na Guerra do Paraguai. O documento, que aponta a ilha com a denominação de “Ilha do João da Cunha”, faz parte do acervo do Arquivo Nacional.

Na época, a pesca da baleia foi uma das atividades econômicas que impulsionou a Capitania de Santa Catarina (foto 6). Era um monopólio real concedido pela Coroa Portuguesa a ricos comerciantes que, sobrecarregados de impostos pelo Erário Real – a administração fiscal portuguesa – arrematavam o direito de explorar a pesca e industrializar o produto por determinado prazo. João da Cunha Bittencurt construiu na ilha uma armação baleeira clandestina para retirar o óleo de baleia que era repassado a José Vieira Rebelo, responsável por sua industrialização e comercialização em Porto Belo. No povoado, o óleo era utilizado principalmente na iluminação pública e na construção civil como liga de argamassa.

 

Décadas mais tarde, os herdeiros de João da Cunha Bittencurt venderam a ilha para João Eufrásio de Souza Clímaco, professor da comunidade de Araçá, comerciante e primeiro intendente do município de Porto Belo.

 

Em 1953, Ernesto Stodieck Jr. e a esposa, Vera, adquiriram a ilha, já com o objetivo de transformá-la num recanto de lazer e preservação da natureza (foto 4). Mas, foram seus netos, em 1994, que deram início ao projeto do empreendimento que, hoje, é um dos mais procurados destinos turísticos do litoral centro-norte de Santa Catarina.

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Misteriosos petroglifos no Brasil

Desde as viagem ao Xingu dos dois Senhores das pedras nunca, na Alemanha,  adormeceu por inteiro o interesse pelas tribos dos índios brasileiros, e também no ano passado foi preparada uma expedição maior sob direção do Sr. Dr. Meyer de Leipzig, para completar as pesquisas e salvar em última hora o quanto for possível para a ciência, antes que os índios sucumbem totalmente perante o avanço cultural. Entre as numerosas tribos dos índios espalhados por todo Brasil , uma das mais selvagens e em função disso desconhecida e pequena tribo que ocupa o oeste do Estado de Santa Catarina, ora fazendo incursões de caça nas planície baixas em direção ao mar, ora se deslocando para o campo quando estiver maduro o fruto da pinha, araucária brasiliensis, e o milho dos colonos apresentar espigas.

Por meio de ataques eventuais aos colonos ou tropeiros adquiram para si ferro para flechas e lanças e adornos para colares. É uma luta amarga e desigual que ocorre entre os colonos e os índios, cada vez mais cercados e repelidos e que sabem que é sua luta é de morte e que sua tribo, daqui a alguns anos, vai pertencer ao passado. O governo brasileiro infelizmente não fez nenhuma tentativa de aculturar esta tribo e para a ciência ela foi perdida. É pouco que sabemos dela. Relatos de sobreviventes de ataques e os dos topógrafos que andam por meses e anos nas matas, são as únicas fontes de pesquisa. A partir do pouco que conhecemos podemos ver o fato de que esta tribo, os bugres, como em regra são chamado os índios no Brasil, não possuem nenhuns sinais de escrita ou de comunicação. As numerosas armas, adornos e objetos que foram tomadas dos bugres, são geralmente lisas, os enfeites cada vez mais raros e mais simples. Assim chama muito a atenção de que na costa existe uma parede íngreme de rocha, na qual foram gravados muitos e desconhecidos desenhos os quais, sem dúvida, foram feitos pelos bugres.  

A 7º 8’ 40’’ de latitude geográfica encontra-se o porto que com razão leva o nome de Porto Belo, o qual tem a vantagem de não ter nenhuma desembocadura de rio, assim não corre o risco de um assoreamento que acontece em muitos portos brasileiros.

Neste porto encontra-se uma pequena ilha de aproximadamente 300 jeiras, a Ilha João da Cunha, formada por um único morro de diorito. Para o lado do mar a ilha é íngreme, a parede de 8 a 10 metros de largura e 25 metros de altura apresenta em toda sua área aqueles sinais misteriosos. Para o Sr. Engenheiro Odebrecht de Blumenau, que nos passou as informações a respeito destas inscrições, infelizmente não foi possível fotografar toda área da parede rochosa uma vez que não há  na frente dela nenhum ponto de apoio; apenas foi possível fixar uma parte das inscrições em fotografia a partir de uma protuberância da rocha.

Elas estão gravadas na rocha apenas numa profundidade de fracção de milímetros, pode-se sentir a cava com o dedo. Para que elas sobresaissem na fotografia, o Sr. Odebrecht marcou os desenhos visíveis na parte da direita da imagem, cuidadosamente com tinta branca, as outras, localizadas ao alto na parte da esquerda não foram marcadas razão pela qual são visíveis apenas levemente. A parte central entre os dois desenhos lamentavelmente foi destruída, provavelmente em razão da queimada da mata, que antes estava presente na ilha. A explicação dos sinais deve ser quase impossível, dado a escassez do material presente e nos devemos nos limitar na coleta do testemunho pertencente a uma época cultural estranha e extinta, talvez pode ocorrer mais tarde uma retrospectiva por meio de comparações com outros pontos onde há estas incrições mistriosas, como nos foi dito. Tal seria na Ilha do Arvoredo, localizada ao norte da Ilha de Santa Catarina, a Ilha Grande, localizada ao lado da entrada para o porto de São Francisco e numa rocha no meio da mata distante umas cinco horas de Blumenau.

É realmente surprendente a perseverança dos bugres demonstrada na confecção destes desenhos. Como é sabido, as tribos do interior não possuem nenhum metal, e também a nossa tribo local conheceu o ferro apenas recentemente pelo contato com o homem branco, conforme mostram as fleches, as quais antes eram feitas com pontas de pedras, Madeira ou lascas de ossos extraídas dos ossos do braço dos macacos. Somente há pouco tempo que os bugres usam para isso o ferro. Da mesma forma são conhecidos apenas  recentes as suas lanças feitas com pontas de ferro em forma de colher, suas armas eram clavas em madeira e pedras ao lado de arcos e fleches. Com certeza , os desenhos foram feitos com ferramentas de pedra, um trabalho que deve ter demorado bastante em função do tamanho e da extenção considerável das imagens, bem como em função da dureza da rocha.

Outrossim são elas provas que os antigos habitantes da costa estavam num estado cultural incomparavelmente mais alto de que seus descendentes atuais. Eles deviam ter, para alcançar as ilhas, canoas mais resistentes daqueles feitas de cascas de árvores, as quais ainda estão em uso pelos bugres do interior. .Em função dessas considerações  torna se mais difícil uma interpretação destes desenhos. No desenho no canto de baixo a direita reconhece-se sem dificuldade uma folha de palmeira, enquanto o do lado em forma de grade demonstra uma certa semelhança com uma nassa de pesca, todas as outras porém , não permitem a menor explicação, formam ate ora um enigma sem solução.

Fonte: Prometheus Illustrierte Wochenschrift, 1899, página 427 (Semanário Ilustrado Prometheus)

 

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